21 de novembro pelo calendário litúrgico
(4 de dezembro pelo calendário civil)
Essa Festa é a celebração de uma situação que é cruz para aquela menina de três anos de idade. Ela é levada do seio de sua família e entregue ao serviço do templo pelas mãos dos próprios pais. Ela deixou as brincadeiras para traz e passou a conviver com os anjos.
No entanto, a graça do Espírito Santo estava com Maria mesmo antes dela nascer, em razão da promessa feita pelos pais.
Os justos Joaquim e Ana, mesmo antes do nascimento de sua filha Maria, tinham prometido dedicar a Deus a criança que Ele lhes havia concedido. (Subsídios homiléticos de Pavlos Tamanini- ecclesia.com.br/sinaxe)
Mas deixar a vida anterior para ir viver no templo não foi um fardo para ela. O evento da Apresentação foi vivido com grande paz, alegria, e sob uma efusão incomparável da graça de Deus sobre todos aqueles que dela participaram. Tudo foi feito sem dor, sem remorso, sem saudade, sem perda.
No entanto, a alegria que envolve o evento não nega o conteúdo de sacrifício e de cruz. A criança deixou para trás sua infância e seus pais, sacrifício necessário para que ela, que é o novo Templo, fosse previamente preparada na Tradição do antigo. Ela precisava ser mais que uma perfeita judia para poder ser a Mãe de Deus e protótipo do corpo da Igreja de Cristo.
Quando Maria completou três anos de idade, Joaquim e Ana decidiram que tinha chegado a hora de cumprir a promessa feita por eles de oferecê-la ao Senhor. Joaquim reuniu meninas da vizinhança para formar uma escolta, e fez com que elas fossem na frente de Maria, carregando tochas acesas.
Cativada pelas tochas, a jovem criança seguiu alegremente até o templo, nenhuma única vez voltou seu olhar para os pais, nem houve choro da parte dela nem da parte deles. Foi precisamente esse o plano de Joaquim: ele desejou que ela fosse feliz para sua nova casa. ((The Festal Menaion - Beackground and Meaning of Feats)
De acordo com a antiga tradição, Maria subiu os quinze degraus do Templo sozinha. (Subsídios homiléticos de Pavlos Tamanini- ecclesia.com.br/sinaxe).
O Sumo Sacerdote Zacarias – futuro pai de São João, o Batista – recebeu-a e introduziu-a por alguns momentos no Santo dos Santos, onde ela foi alimentada miraculosamente pela mão de um anjo. Nas palavras do Protoevangelho, “O Senhor derramou a graça sobre ela, e ela dançou com seus pés e toda a casa de Israel adorou a menina”. (The Festal Menaion - Beackground and Meaning of Feats)
No topo da escada o sumo sacerdote a encontrou e, cheio do Espírito Santo, conduziu-a não só até o altar, mas mesmo até o Santo dos Santos onde, de acordo com a Lei, o próprio Sumo Sacerdote só podia entrar uma vez por ano. O povo ficou assombrado com essa entrada, e os anjos de Deus maravilharam-se também. (Subsídios homiléticos de Pavlos Tamanini- ecclesia.com.br/sinaxe).
A menina entrou no santuário terrestre da primeira aliança:
De fato, foi construída uma tenda: trata-se da primeira tenda, chamada «Santo»; e nela estavam o candelabro, a mesa e os pães da oferta. Atrás do segundo véu havia outra tenda, chamada «Santo dos Santos». Estavam aí o altar de ouro para o incenso, e a arca da aliança toda recoberta de ouro, na qual se encontrava uma urna de ouro que continha o maná, o bastão de Aarão, que tinha brotado, e as tabuas da aliança. Sobre a arca estavam os querubins da Gloria, que com sua sombra cobriam o lugar do perdão. Agora, porem, não e o momento de nos perdermos em pormenores. Estando tudo assim disposto, os sacerdotes à todo momento entram na primeira tenda para celebrar o culto. Na segunda tenda, porem, entra somente o sumo sacerdote uma vez por ano, levando o sangue que ele oferece por si mesmo e pelos pecados que o povo cometeu por ignorância. (Retirado da Epístola da Festa, HB 9, 1-7)
“Os anjos, vendo a entrada da Purissima,Reza a Tradicão que Maria, ao ser apresentada, contava com três anos de idade; e desde então se doou a Deus de maneira plena, tornando-se disponível à sua vontade.
Ouve, filha, vê e inclina o teu ouvidoDesde o inicio ela foi a "Serva do Senhor" (Lc 1,38) a quem amou e serviu com todas as forças. Maria preparou-se desde pequena para tornar-se ela própria "templo" do Altíssimo. O anjo Gabriel anunciou tal realidade dizendo: "Não temas Maria, pois encontraste graça aos olhos de Deus". E a sua resposta é um celebre poema que enaltece a humildade e destrona o orgulho.
Minha alma glorifica o Senhor,Tal como a outra Maria, irmã de Marta, a Santíssima Virgem Maria também soube escolher a melhor parte.
Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só coisa e necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada. Enquanto Jesus assim falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: Feliz o útero que te trouxe e os seios que te amamentaram. Jesus respondeu: Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em pratica.(Evangelho da Festa - Lc 10, 38-42; 11,27-28)
A humildade, a simplicidade, a singeleza e a sinceridade são características frequentes em uma criança. Maria foi apresentada portando estes atributos. O crescimento não destituiu esses predicados da Virgem de Nazaré, mas fê-los permanentes. O silencio de Maria e suas oracões frequentes acolhem a vontade de Deus com amor, pois produziu dedicação. Maria cooperou na obra da Redenção dando seu "Sim", não de maneira passiva, mas numa operosa atividade. O seu "Sim" foi mantido e acentuado em toda a vida, ate mesmo no calvario onde, também ela, ofereceu seu Filho que se oferecia por nossa Salvação. (Subsídios homiléticos de Pavlos Tamanini- ecclesia.com.br/sinaxe)
A Festa da Apresentação da Santíssima Mãe de Deus no Templo “é o prelúdio da benevolencia de Deus e a proclamação preliminar da salvação dos homens. A Virgem apresenta-se com esplendor no Templo de Deus e antecipadamente anuncia Cristo a todos.” (Apolitikion da Festa)
O templo puríssimo do Salvador, a Virgem,A Santíssima Virgem Maria é a nova Eva que gerou pelo seu "sim" o novo Adão. Ela é o Tabernáculo Santo onde o Salvador encarnou. Ela é a Câmara Nupcial, tal como a terra e o túmulo, de onde Nosso Senhor Jesus Cristo, nascido e depois ressuscitado, sairá como um noivo para devolver a vida ao mundo.
Assim como na festa da Natividade da Mãe de Deus, o que importa não é a exatidão histórica da narrativa, mas seu significado espiritual. Essa descrição da Apresentação de Maria no templo e de sua morada lá significa que ela foi totalmente dedicada ao Senhor, disponível para sua futura vocação como Mãe do Deus encarnado. Na Anunciação, o Espírito Santo cobriu-a com a palavra do anjo e ela concebeu o Salvador; mas o Espírito tinha também habitado em seu interior desde a infância, preparando-a em corpo e alma para ser o digno tabernáculo para a Divindade – um Templo vivo, uma pessoa Santa dos Santos. Tal é o significado espiritual da festa. Seu principal tema é esta habitação da graça do Espírito, presente e ativa no interior dela desde a tenra infância. Como um dos textos para o dia expressam, falando não da Anunciação mas de sua Apresentação no Templo: “Todos os poderes do céu ficam admirados, vendo o Espírito Santo habitá-la”. (Grande Vésperas, theotokion antes da entrada).
Assim como a Natividade em 8 de setembro, sua Apresentação no templo é uma festa de antecipação. “Hoje é a prenunciação da alegria do Senhor, e o anuncio da salvação do homem” (Tropário da Festa). Quando estamos prestando honras ‘a criança de Deus’, nós estamos visando sempre à Encarnação do Verbo. Nós olhamos adiante, mais especificamente, para a festa do Natal que ocorre pouco menos de um mês depois; e por esta razão alguns dos hinos já são cantados em antecipação, durante o correr do Canon do dia. (The Festal Menaion - Beackground and Meaning of Feats)
No ícone há dois planos onde estão descritos os momentos essenciais do acontecimento: num primeiro plano, a acolhida da menina por parte do Sacerdote; num segundo plano, à esquerda, sentada no alto da escadaria, a Santíssima Virgem recebe o alimento das mãos de um anjo.
O centro da cena é o recinto sagrado do templo, onde está a Santíssima Virgem Maria acompanhada pelos pais e por um grupo de virgens que portam tochas acesas.
Mais que iluminado, o templo rebrilha pela luz que vem da menina. A Santíssima Virgem é a tocha viva, cuja luz espiritual faz a cor púrpura de suas vestes se refletir nos ângulos do altar.
A menina estava prometida ao templo antes mesmo de ser concebida. Mas, por ponderação de Ana, só foi apresentada após completar três anos de idade. “Esperemos até os três anos, a fim de que não tenha saudade nem do pai nem da mãe” (Proto-evangelho de Tiago).
A apresentação da filha ao templo deixou os pais, Joaquim e Ana, transtornados de felicidade.
O Sumo Sacerdote que recebe a criança é identificado com Zacarias, pai do Precursor (João Batista). Ele exclama alvoroçado: “A tão esperada pelos aflitos chegou a oferecer-se, santa no templo e a ser morada do Rei do universo”.
Ele a recebe a criança reconhecendo nela a futura mãe do messias, anunciado pelos profetas.
“O Senhor enalteceu teu nome entre todas as gerações. Em ti, finalmente, o Senhor manifestará a salvação para os filhos de Israel”.
Ela, que será o Templo vivo do autor do universo, é exaltada no templo construído por mãos humanas.
No ícone, a SS Virgem aparece pequena de estatura, mas vestida e com aparência de uma pessoa adulta; seu porte não é, certamente, o de uma menina de três anos.
Ao Lado do santuário e, concretamente, no mais alto da parte esquerda do ícone, aparece a Virgem no cume de uma escadaria, sob um dossel, onde recebe o pão celeste das mãos de um anjo.
“Maria habita agora no templo do Senhor; é alimentada como uma pomba, recebendo da mão de um anjo o alimento” (Proto-evangelho de Tiago).
Pergunta, com efeito, o patriarca Tarásio:
“Que fazia a Virgem no decorrer da vida no Santo dos santos? Receber o alimento angelical das mãos de um anjo, conservar intata sua virgindade como pomba imaculada, dar graças àquele que tinha edificado o templo e criado o céu e a terra.” (Tarásio de Constantinopla).
A singular estada no santuário da SS Virgem é uma preparação, voltada para que ela mesma se torne o santuário vivo, que receberá o criador do universo como filho, possibilitando a divinização do ser humano.
Ela “permaneceu no templo até a idade de doze anos, quando Zacarias a noivou com José”. (The Festal Menaion - Beackground and Meaning of Feats)
Lucas Mesquita.