Eparquia Ortodoxa do Brasil

Sua Beatitude SAWA,
Metropolita Ortodoxo de Varsóvia e Toda a Polônia

Santo Sínodo


Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia


Sua Eminência SZYMON (SIMÃO) Arcebispo de Lodz e Poznan


Sua Eminência ADAM (ADÃO) Arcebispo de Przemysl e e Nowy Sacz


Sua Eminência JEREMIASZ (JEREMIAS) Arcebispo de Wroclaw e Szczecin


Sua Eminência ABEL Arebispo de Lublin e Chelm


Sua Eminência JAKUB (JACÓ) Arcebispo de Bialystoki e Gdansk


Sua Graça GRZEGORZ (GREGÓRIO) Bispo de Supraski


Sua Graça JERZY (JORGE) Bispo de Siemiatycze e do Capelão Ortodoxo do Exército Polonês.


Sua Graça PAISJUSZ (PAISIOS) Bispo de Gorlice


Sua Eminênia Chrisóstomo, Arcebispo Ortodoxo do Rio de Janeiro e Olinda-Recife


Sua Graça Ambrósio, Bispo Ortodoxo do Recife

METROPOLIA

Eparquia de Varsóvia e Bielsko
Eparquia de Poznan e Lodz
Eparquia de Przemys e Nowy Sacz
Eparquia de Lublin e Chelm
Ordinariato Ortodoxo do Exército polonês
Unidade estrangeira: Eparquia do Rio de Janeiro, Olinda e Recife.

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Breve Histórico

A Igreja autocéfala da Polônia é a Igreja dos cristãos ortodoxos que vivem na Polônia. Ela possui seis dioceses e atualmente é liderada pelo Metropolita Sawa, Arcebispo Metropolitano de Varsóvia e de Toda a Polônia.

O nome Polônia (Polska) tem origem na tribo dos polanos, que significa "pessoas que cultivam a terra", derivado da palavra pole que significa "campo". A Igreja Ortodoxa da Polônia tem sua origem apostólica em Cirilo e Metódio. Seus primórdios remontam ao período de formação do Estado da Polônia, que se deu no século X. Período em que os polanos conquistaram a Pequena Polônia, onde habitava a Tribo dos Vislanos (ou Vistulanos). A Pequena Polônia é uma região histórica do atual Estado polonês, formando a maior parte do sul do país. Historicamente, até a Segunda Guerra Mundial, a região incluía também grande parte da atual Ucrânia.

A Tribo dos Vislanos habitava a Pequena Polônia desde o século VII, onde criaram um estado tribal, com os principais centros em Cracóvia, Sandomierz e Stradów. No final do século IX, eles foram invadidos pela Grande Morávia e seu duque foi forçado a aceitar o batismo cristão. Esse fato é muito elucidativo sobre a origem da Igreja Ortodoxa em solo polonês. Pois a conversão dos eslavos à ortodoxia, historicamente passou por um governante da Morávia, chamado Rastislav ou Rostislav, que governou a Grande Morávia entre 846 e 870.

Em 863, Rostislav pediu ao imperador bizantino, Miguel III, que lhe enviassem missionários que pudessem transmitir, em língua vernácula, os ensinamentos de Jesus Cristo. Em resposta, o imperador lhes enviou dois irmãos ilustrados, Constantino (mais tarde, como monge, chamado Cirilo) e Metódio, que dominavam as línguas eslava e grega. Para darem conta dessa missão, os irmãos fundaram o alfabeto eslavo, o que possibilitou que eles traduzissem os mais importante livros litúrgicos cristãos.

Embora o trabalho de Cirilo e Metódio tenha ocorrido na Morávia (aproximadamente a Eslováquia atual), o benefício atingiu a todas as terras eslavas (especialmente Bulgária, Sérvia, Ucrânia, Bielorrússia e Rússia). Com a conversão dos Vislanos pelas mãos dos morávios, o rito de Metódio difundiu-se nas terras polonesas que faziam fronteira com a Morávia. Dessa forma, missionários eslavos ortodoxos começaram sua tarefa de iluminação espiritual muito antes dos reis poloneses se aproximarem do cristianismo romano.

Em 954 Princesa Olga de Kiev foi batizada. Isto abriu o caminho para o batismo de Vladimir de Kiev, neto de Olga, em 988. Vladimir (reinou 980-1015) casou-se com Anna que era irmã do imperador bizantino. Nesse contexto, a Ortodoxia tornou-se a religião de Estado na Rus.

No século X, as terras dos vislanos foram conquistadas pelos polanos e incorporadas ao estado polonês. No entanto, supõe-se que já nesse mesmo século X, bispados ortodoxos de rito metodiano já tivessem sido fundados em Cracóvia e Vislica. A Igreja Ortodoxa tornou-se uma continuação da Tradição Metodiana na Polônia.

Mieszko I unificou os territórios polacos e foi o primeiro duque da Polônia. Ele casou–se com a princesa Dobrawa, que, por ser tcheca, tinha fortes ligações com a Ortodoxia (o que é atestado pelo martírio de São Wensceslas (Vaclav ou Viacheslav) que ocorreu em 935). Foi logo depois de seu casamento com Dobrawa, em 965, que Mieszko I aceitou o batismo, no ano de 966.

Do século X ao século XIII houve um contínuo desenvolvimento da Igreja Ortodoxa em solo polonês, com a fundação de vários bispados. No entanto, de modo geral, os reis poloneses mantiveram-se ligados ao catolicismo romano. Disso resultou que algumas regiões da Polônia estavam sob jurisdição eclesial do Patriarcado de Constantinopla, enquanto outras estavam sob jurisdição eclesial do Papa de Roma.

No entanto, esse desenvolvimento da Igreja Ortodoxa em solo polonês foi abalado pela destruição do poder de Kiev pelos Tártaros (século XIII). Como consequência dessa destruição, a parte sudoeste da Rus, conhecida como pequena Rus (atual Ucrânia), teve uma parte de seu território absorvida pela Polônia e, outra parte, absorvida pela Lituania em 1386.

A Lituania foi o último país pagão na Europa. No entanto era, na época, um reino em ascensão na região. No século XIII eles conquistaram a Bielorússia e no século XIV a Ucrânia, incluindo a cidade de Kiev. Em 1385 ocorreu a união pessoal entre os reinos da Lituania e da Polônia, com o Grande Duque Lituano Wladyslaw Jagiello aceitando o batismo e tornando-se Rei da Polónia. O novo estado polaco-lituano tinha uma área total de 1 milhão de km², com capital em Cracóvia. Outras cidades importantes eram Vilnius, Kiev, Poznán, Torun e Gdansk.

Em 1569, a Polónia e a Lituânia formaram a Comunidade Polaco-Lituana, na chamada União de Lublin. Com essa União, uma porção considerável do território ucraniano, a pequena Rus, passou do controle lituano para o polonês. Sob pressão, a maior parte da elite rutena (de origem eslava) converteu-se ao catolicismo romano. Ma o povo daquela região manteve-se fiel à Igreja Ortodoxa. Havia, então, uma situação em que um rei católico governava um povo, no seio do qual havia uma substancial minoria de ortodoxos.

No entanto, esses ortodoxos estavam em situação difícil, pois a jurisdição eclesial do território era do Patriarcado de Constantinopla, que se encontrava impossibilitado de exercer qualquer controle sobre o clero. A ex-capital bizantina havia caído sob domínio dos turcos mulçumanos em 1493. De modo que, no período da Comunidade Polaco-Lituana, a indicação dos que deveriam receber a sagração episcopal passou a ser feita pela Igreja Católica Romana, por intermédio do Rei da Polônia.

Por outro lado, a invasão tártara (mongóis) não conseguiu quebrar a Igreja Ortodoxa entre os eslavos. A Igreja conseguiu sobreviver como uma força real que consolou o povo em seu sofrimento. Ela deu uma contribuição material, espiritual e moral para a restauração da unidade política da Rússia, dando a garantia de uma futura vitória sobre os invasores.

A Rússia, que surgiu a partir do período Mongol foi um país exteriormente muito diferente da antiga Rus. Kiev nunca se recuperou do saque de Batu, o neto de Genghis Khan, em 1240. No século XIV o lugar de Kiev foi ocupado pelo Principado de Moscou. Foi o Grão-Ducado de Moscovo que inspirou a resistência e finalmente a libertação do julgo mongol. A ascensão de Moscou foi intimamente ligada com o crescimento da Igreja. Quando a cidade ainda era comparativamente pequena e insignificante, Pedro, Metropolita da Rússia, em 1308-1326, decidiu estabelecer-se ali. E daí por diante, Moscou permaneceu como a cidade do hierarca chefe da Rússia. E essa nova importância religiosa da cidade foi decisiva para fazer dela o novo centro de unificação política do país.

Como vimos, desde o século XIV a Polônia foi um estado multi-cultural, multi-étnico e multi-religioso. No entanto, as autoridades da Polônia por muito tempo trabalharam para que a Igreja Ortodoxa Polonesa se vinculasse ao Papa de Roma, sob o pretexto de reunificar o cristianismo. Com a chegada dos jesuítas em 1564, a pressão sobre os Ortodoxos aumentou, com grande parte da população se convertendo ao catolicismo romano. A situação da Igreja era de pobreza; o clero era inculto e os bispos não tinham recursos para promover corretamente os serviços litúrgicos e a estrutura eclesial. Muitos sacerdotes foram ordenados sem formação de base e foram desenvolvidos novos ritos, que não eram nem latino, nem grego, em seu caráter.

Em paralelo a esses acontecimentos, houve uma grande mudança no mundo ortodoxo. Ao libertar-se dos invasores, o Estado russo ganhou força e junto com ele a Igreja Ortodoxa Russa. Em 1448, a Igreja Russa tornou-se independente do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Ao Metropolita Jonas, sagrado pelo sínodo russo em 1448, foi dado o título de Patriarca de Moscou e Toda a Rússia. Pouco depois, em 1493, o Império Bizantino entra em colapso com a tomada de Constantinopla pelos turcos.

Nessa situação, os bispos da pequena Rus, situada em território polonês, ficaram submetidos a diferentes tensões: de um lado uma Constantinopla submetida ao domínio mulçumano, em contraste com o Patriarcado Russo associado à ascensão do novo Império Moscovita; de outro lado, havia um rei polonês católico que trabalhava para converter ao catolicismo, a parcela ortodoxa da população do reino.

Em 1595-1596, ocorre a União de Brest, fundada na decisão do "Metropolita de Kiev-Halych e de toda a Rus", de cortar relações com o Patriarca de Constantinopla e se colocar sob as ordens do Papa de Roma. No sínodo em Brest, seis dos oito bispos do Sínodo Ortodoxo apoiam a União com Roma, mas os três bispos restantes, todos do extremo oeste da Ucrânia e da Polônia oriental (Lviv, Lutsk e Przemysl), não aderiram de imediato a União. No entanto, essa resistência foi posteriormente revertida em adesão (1700, 1702 e 1693, respectivamente).

Os hierarcas, reunidos no sínodo de Brest, redigiram os 33 artigos da União que foram aceitos pelo Papa de Roma. Os fiéis ortodoxos foram recebidos na condição de católicos gregos (uniatas), com a autorização de continuar várias práticas orientais, incluindo a Liturgia em Eslavão, a ordenação de homens casados e a comunhão com pão e vinho. A união foi fortemente apoiada pelo Rei da Polônia, Sigismundo Vaza III, mas combatida por alguns bispos e importantes nobres da Rus, e, principalmente, pelo nascente movimento cossaco em prol de um auto-governo ucraniano. O resultado foi a luta ‘Rus' contra ‘Rus', e a divisão dos ortodoxos da pequena Rus em jurisdições greco-católica (também conhecida por uniata) e greco-ortodoxa.

Em 1620, o Patriarca de Jerusalém Theophanes III chegou a Kiev e consagrou uma hierarquia ortodoxa, incluindo Job (Boretsky) como Metropolita de Kiev. Assim, surgiu para a Igreja Apostólica, uma situação de um mesmo território estar sob jurisdição de um bispo ortodoxo e, ao mesmo tempo, sob jurisdição de um bispo católico.

Sentindo-se traídos pelos nobres rutenos, convertidos em uniatas e pelo rei católico, que trabalhava para suprimir a Fé ortodoxa em todo o território do reino, os cossacos e os camponeses pobres, do extremo oeste da Ucrânia e da Polônia oriental, voltaram-se para Igreja Ortodoxa Russa. Houve, então, a eclosão da grande rebelião cossaca de 1648, contra a Comunidade Polaco-Lituana e o Rei João Casimiro II.

Como consequencia imediata dessa rebelião, houve a partilha do território ucraniano entre a Polônia e a Rússia, após o tratado de Pereyaslav e a Guerra Russo Polonesa. Posteriormente, no século XVIII, houve a partilha da própria Polônia, entre a Prússia a Áustria e a Rússia.

A lealdade dos fiéis variou entre a Ortodoxia e a União com Roma ao longo dos séculos que se seguiram. Também a tolerância entre os regimes dominantes e as pessoas tem variado, sob influência das mudanças de fronteiras que aconteceram na história política polonesa. O martírio de Maxim Sandovich ilustra a tensão dessas relações.

Quando a Polônia foi restaurada como país independente, no começo da I Guerra Mundial, cerca de 4 milhões de cristãos ortodoxos ficaram incluídos dentro de seus novos limites. A maioria deles estava sob a jurisdição do Patriarcado de Moscou e eram das etnias bielorrussa e ucraniana.

Pouco depois de sua independência, o governo polonês começou a promover a idéia de instituir uma igreja autocéfala, independente de Moscou. Em 13 de novembro de 1924, o Patriarcado de Constantinopla outorgou o status de autocefalía à Igreja Ortodoxa da Polônia e, em 1927, outorgou ao Metropolita de Varsóvia, o título de “Beatitude.”

No entanto, o gesto do Patriarcado Ecumênico não teve muito efeito prático, pois a maioria dos bispos eram russos e eles continuaram ligados ao Patriarcado de Moscou. “Durante os anos 30, produziram-se desafortunados incidentes entre as Igrejas Católico-romana e Ortodoxa da Polônia. O Metropolita Dionísios de Varsóvia, protestou formalmente pelos incidentes anti-ortodoxos, sustentando que muitos de seus sacerdotes foram forçados a rezar em polonês, que muitas de suas igrejas haviam sido forçadas a fechar e que outras tantas haviam sido destruídas. Alem de tudo isso, denunciou que se estava exercendo pressão sobre os fieis ortodoxos para que se convertessem ao catolicismo. O próprio Metropolita católico-ucraníno, mons. Sheptytsky, corroborou aquelas acusações e somou sua voz àquela dos ortodoxos. Este fato ficou plasmado em uma carta pastoral dirigida a seus fieis.” [1]

Quando o Leste da Polônia foi anexado à União Soviética em 1939, a maioria dos ortodoxos poloneses foram reintegrados ao Patriarcado de Moscou, de modo que a Igreja Ortodoxa da Polônia se viu reduzida significativamente em tamanho.

Em 1948, quando os comunistas tomaram o governo da Polônia, o metropolita de Varsóvia foi deposto por causa de sua oposição ao novo regime. Mas neste mesmo ano, o Patriarca de Moscou reconheceu a Autocefalia da Igreja Ortodoxa da Polônia.

Hoje, a Igreja da Polônia é liderada pelo Arcebispo Metropolitano de Varsóvia e de Toda a Polônia e inclui seis eparquias (dioceses): Varsóvia e Bielsk, Bialystok e Gdansk, Lodz e Poznan, Wroclaw e Szczecin, Lublin e Chelm, e Przemysl e Nowy Sacz, além de uma unidade fora da Polônia que é a Eparquia do Brasil . A maioria dos cristãos ortodoxos estão localizados no leste da Polônia, onde o Eslavo antigo é a língua litúrgica. Mas existem algumas paróquias, espalhadas por toda a Polônia, onde o polonês é utilizado durante os serviços. Nas últimas décadas os crentes ortodoxos também voltaram à região Lemko, que faz parte da Eparquia de Przemysl e Nowy Sacz. O eslavo antigo é geralmente utilizado como língua litúrgica na área Lemko. Estima-se que há cerca de um milhão de Ortodoxos na Polônia.

Lucas Mesquita.

Fontes:

Antoni Mironowicz. A Igreja Ortodoxa na Polônia.

Ortodoxa Inglaterra ortodoxos da Europa: Polónia descobre a sua ortodoxia originais.

A Igreja Ortodoxa da Polônia.

[1] A Igreja da Polônia

História da Polônia e História da Ucrânia: Wikipédia.

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